Há jogadores que amadurecem com o tempo. Outros parecem nascer prontos. Aos 19 anos, Pau Cubarsí pertence claramente ao segundo grupo. Enquanto a maior parte dos atletas da sua idade ainda busca espaço no futebol profissional, o zagueiro do Barcelona já se consolidou como titular de um dos maiores clubes do planeta, tornou-se peça indispensável da seleção espanhola e chega à final da Copa do Mundo como um dos principais responsáveis pela campanha que recolocou a Fúria na decisão após 16 anos.
A decisão contra a Argentina colocará frente a frente dois estilos consagrados, recheados de estrelas e talentos ofensivos. Ainda assim, um dos personagens mais influentes da partida atua longe dos holofotes normalmente destinados aos atacantes. Cubarsí não marca gols nem distribui assistências em sequência, mas poucos jogadores exercem tamanho impacto sobre o desempenho coletivo de sua equipe quanto o jovem defensor espanhol. E isso fica evidente tanto aos olhos quanto nos números.
Até aqui, nenhum defensor venceu tantos duelos defensivos quanto Cubarsí no Mundial. Sua taxa de sucesso chega a impressionantes 85%, liderando o torneio. Também é o zagueiro com maior número de passes progressivos por 90 minutos (11) e o que mais criou oportunidades de gol entre atletas da posição, com cinco chances produzidas. Em outras palavras, ele reúne atributos que normalmente aparecem separados: é dominante sem a bola e igualmente decisivo quando a Espanha inicia suas jogadas .
Cubarsí vai muito além de defender: é o primeiro construtor da Espanha Durante anos, o futebol associou zagueiros quase exclusivamente à capacidade de marcar, cortar cruzamentos e vencer disputas físicas. Cubarsí representa uma geração que ampliou completamente essa definição. Na Espanha, ele é o primeiro organizador da equipe. Quando a pressão adversária sobe, é dele que costuma partir a serenidade para encontrar linhas de passe.
Quando o jogo acelera, raramente perde a calma; e quando o adversário fecha os espaços, sua qualidade técnica permite quebrar linhas com naturalidade. Os números ilustram isso com clareza. Cubarsí completou 96,2% dos passes durante toda a Copa do Mundo, índice impressionante para qualquer jogador e ainda mais extraordinário para alguém que atua justamente na zona do campo onde qualquer erro costuma ser fatal. Mas a estatística talvez nem seja o aspecto mais impressionante.
O que chama atenção é a forma como o camisa 22 da Espanha joga. Não há ansiedade e não há precipitação. Tampouco existe o comportamento comum de um atleta que ainda sequer completou dua