Pela primeira vez, uma seleção sul-americana não levou uma Copa do Mundo jogada na América do Norte — e vejo o torneio que acabou no domingo preocupante para a Conmebol. A Argentina foi amplamente dominada na final e a tendência é para um período de vacas magras nos anos depois de Lionel Messi, como aconteceu depois de Maradona e com o Brasil depois de Pelé.
E falar o que da seleção brasileira? Nesses jogos de mata-mata, as margens são bem pequenas. Sem uma substituição equivocada, a seleção brasileira poderia ter superado a Noruega e ido longe no torneio. Mas, como falou Carlo Ancelotti antes da Copa, se o avô dele tivesse rodas, seria um carro. O “se” não joga.
E mais uma vez, o Brasil caiu diante de uma seleção europeia da segunda prateleira. A Canarinho sempre vai ter a sua força — a população é grande demais e a tradição imponente demais para outra coisa. Mas já não gera o mesmo medo de antes.
As lições da Copa do Mundo para as seleções da América do Sul
E os outros países do continente? As últimas décadas têm sido boas para as seleções sul-americanas menores. A explicação é fácil. O formato maratona das Eliminatórias, iniciado em 1996, tem sido muito positivo. Permite o tipo de calendário que os europeus levam com naturalidade — jogos competitivos regulares, com renda garantida, e a possibilidade de manter um time juntos, contratar melhores técnicos e investir na base.
Antes de 1996, o Equador só venceu cinco partidas na história das Eliminatórias. Agora classifica para a Copa com ambições de ir longe. Além do Equador, desde 1996 houve a melhor Copa na história da Bolívia, do Paraguai e do Uruguai.