Brasil ou Noruega? A resposta parece simples à primeira vista. Pentacampeã do mundo, dona de um elenco recheado de jogadores de elite e comandada por Carlo Ancelotti , a seleção brasileira chega às oitavas de final da Copa do Mundo como favorita. Mas o confronto deste domingo (5), às 17h (de Brasília), em Nova York, está longe de ser daqueles em que o peso da camisa basta para apontar um vencedor.
A Noruega construiu credenciais suficientes para ser levada muito a sério. Tem um dos artilheiros da competição, Erling Haaland , um dos melhores meias do futebol europeu em Martin Odegaard e um estilo de jogo que pode causar desconforto a qualquer adversário. Para completar, carrega um retrospecto que nenhum outro rival da Canarinho possui: em quatro encontros, o Brasil nunca conseguiu vencer os noruegueses. Ainda assim, o favoritismo continua do lado brasileiro.
Não somente pela tradição construída ao longo da história, mas porque o time de Ancelotti apresenta um elenco mais profundo e uma variedade de soluções consideravelmente superior a dos Vikings. Isso, porém, não significa que o caminho até as quartas de final será tranquilo. Brasil tem mais repertório e sabe exatamente onde atacar A principal diferença entre as equipes aparece quando o jogo deixa de depender apenas dos titulares. O Brasil tem um banco de reservas melhor, e isso pesa ainda mais em partidas eliminatórias, quando mudanças táticas e substituições costumam decidir classificações — foi assim, inclusive, na vitória contra o Japão .
Mesmo tendo pouco tempo de trabalho à frente da Canarinho, Ancelotti conseguiu montar uma equipe capaz de se portar bem em diferentes cenários. Se precisa acelerar, encontra velocidade pelos lados. Se o adversário fecha espaços, consegue trabalhar a posse de bola até criar superioridade. Se o jogo pede mais presença física, também possui alternativas no plantel.
No setor ofensivo, Vinícius Junior continua sendo a principal válvula de escape. Poucos defensores conseguem acompanhar sua explosão em campo aberto, principalmente quando recebe a bola em situações de um contra um. Matheus Cunha , por sua vez, oferece movimentação constante, intensidade sem a bola e ajuda a abrir espaços para quem chega de trás. E é justamente nesse ponto que aparece uma das fragilidades da Noruega.
Apesar da imponência física, seus defensores não são particularmente rápidos. São zagueiros fortes, que dominam o jogo aéreo e dificilmente perdem disputas pelo alto, mas encontram dificuldades quando precisam defender longe da própria área ou acompanhar atacante