A seleção brasileira venceu bem o Haiti na sexta-feira (19), por 3 a 0, depois de um empate na estreia da Copa do Mundo diante do Marrocos . Os resultados contrastantes também explicam mudanças comportamentais do time de Carlo Ancelotti . Saindo de um 4-2-3-1 “torto” na estreia para um 4-3-3 tradicional e praticamente “guardiolista”, o Brasil foi de um time que se limitava a contornar o bloco defensivo marroquino para um que fez morada na região central diante do Haiti. E isso pode ser o sucesso para a equipe no restante do Mundial.
Brasil domina o meio e as costas da defesa contra o Haiti depois de dificuldades na estreia Na análise imediatamente após o jogo contra os haitianos, a Trivela destacou como o Brasil foi até “cruyffista” nas suas ideias: procurava primeiro a profundidade, com jogadores fixando a última linha defensiva e passes para frente, constantemente furando as linhas adversárias. Isso foi comprovado pelos números. Segundo os dados oficiais da Fifa, o time de Ancelotti teve 105 quebras de linha defensiva contra o Haiti — ou seja, passes que rompem a linha inteira de marcação por dentro. Foram 16 quebras a mais do que contra Marrocos (89).
Isso mostra como a Seleção conseguiu ser mais agressiva atacando a profundidade e como abusou de passes de ruptura, mesmo que tenha tido menos bolas recebidas no ultimo terço em comparação com a estreia (também porque “estacionou” no segundo tempo). As tentativas de quebra de linha defensiva vieram majoritariamente por dentro do bloco defensivo do Haiti (53,5% do tempo). Diferente da estreia, quando o Brasil não conseguia avançar por dentro e 55% das tentativas de ruptura foram por fora do bloco. E os números individuais dos jogadores nesse quesito ajudam a ilustrar o cenário: Contra Marrocos, quem mais tentou quebras de linha defensiva foram os laterais, Douglas Santos (20) e Danilo (16), que sequer jogou a partida inteira, o que mostra como o time jogava muito por fora; Diante do Haiti, o jogo virou: Marquinhos mais do que dobrou seu número de quebras de linha (22 contra 9), enquanto Douglas teve apenas oito; Gabriel Magalhães (19), Casemiro (10), Bruno Guimarães (11) e Paquetá (17) eram todos jogadores de corredor central que quase dobraram ou de fato dobraram o número de tentativas de quebras de linha contra o Haiti.
A forma como o time se apresentou para receber a bola também mudou e tem embasamento estatístico para ilustrar. Os diversos movimentos de “gato” dos brasileiros para ludibriar a marcação e receber no pé ou nas costas foram cruciais. No fim, o Brasil acumulou 89 ofertas de passe a mais na segunda rodada em comparação com a estreia. Ofertas de passe é um dado que a Fifa