A evolução da Espanha na Copa do Mundo , dos jogos lentos e sem inspiração às partidas mais intensas e com o jeito espanhol, veio junto da ascensão do capitão Rodri . A Fúria, depois de uma fase de grupos com atuações abaixo de seu potencial, emplacou três vitórias difíceis seguidas no mata-mata: Áustria , Portugal e Bélgica . Na semifinal, terá outro concorrente europeu, a França , em mais um jogo que testará seu nível. A seleção espanhola era, junto dos franceses, apontada como a favorita ao título do Mundial antes da competição iniciar.
Nos primeiros jogos, porém, esse status foi questionado. O empate por zero com Cabo Verde e a sofrida vitória sobre um cambaleante Uruguai marcaram mais do que a fácil vitória sobre a Arábia Saudita. Nessas partidas, quase ninguém se destacou. Rodri, por seu peso como um Bola de Ouro, recebeu críticas pesadas, mas conseguiu dar a volta por cima.
Rodri evolui e vira pilar da Espanha na Copa do Mundo Na fase de grupos, o dono da braçadeira de capitão ainda parecia aquele jogador impactado pela grave lesão no joelho que sofreu em setembro de 2024. O nível, em especial contra o Uruguai , assustou. Lento, com pouca ousadia nos passes para furar o bloqueio adversário, optando por toques seguros com os zagueiros, e uma grande dificuldade em girar o corpo para dar andamento às jogadas. Mas, assim como seu time, o jogador pareceu ganhar ritmo após o mata-mata.
A atuação frente aos austríacos já foi mais intensa pelo adversário muito forte fisicamente e exigiu de Rodri mais velocidade na troca de passes e movimentação para sair da pressão. Contra Portugal, em contexto de menor posse de bola do que o habitual para a Fúria (55%), o primeiro volante seguiu com um impacto na construção ofensiva, mas também sem bola, com sete recuperações de bola, quatro duelos vencidos no chão e três desarmes. Até por isso, foi eleito o melhor em campo, mesmo que o gol salvador da classificação tenha sido de Mikel Merino. Nas quartas de final, Rodri encontrou talvez o cenário com mais liberdade na competição.
Teve Kevin de Bruyne, de 33 anos e longe do físico ideal, como marcador em boa parte do tempo. Com isso, conseguiu impactar totalmente o jogo espanhol: desafogava a pressão adversária, direcionava por qual setor a Espanha atacaria e distribuía lançamentos, somando 118 ações com a bola. Ele tentou 29 passes quebras linhas e acertou 28, além de ter atingido 62 passes desse tipo no terço final em toda a competição, maior número desde Toni Kroos, p