Hoje com 68 anos, Arnold Lamy tinha um sonho que parecia impossível quando era ainda uma criança no Haiti: ver sua seleção disputar uma Copa do Mundo. Fã declarado do Brasil desde os tempos de Pelé , ele jamais imaginou que um dia veria não só o seu país no Mundial, como um encontro entre as duas equipes que marcaram sua vida no maior palco do futebol. Agora, o haitiano vive um dilema raro: dividir o coração entre suas raízes e uma paixão cultivada há mais de cinco décadas. A bola rola nesta sexta-feira (19), às 21h30 (de Brasília), na Filadélfia, nos Estados Unidos.
Ver o Haiti na Copa do Mundo já seria especial. Ver o país enfrentar justamente o Brasil , seleção que acompanha há mais de meio século, tornou o momento ainda mais simbólico para um torcedor que cresceu admirando a camisa amarelinha e os grandes craques brasileiros. O Haiti que aprendeu a amar o Brasil A relação de Arnold com a seleção brasileira começou ainda na infância. Nascido em 1958 — ano do primeiro título mundial do Brasil –, ele cresceu durante a era de ouro do futebol brasileiro , quando Pelé transformou o Brasil em uma potência.
Mas a admiração dos haitianos pela Seleção ia muito além das conquistas dentro de campo. Para Arnold, a seleção brasileira era mais do que apenas uma equipe. Era uma fonte de inspiração para os jovens haitianos. “Muitos haitianos sentiam uma conexão com o Brasil porque víamos pessoas que se pareciam conosco tendo sucesso no maior palco do mundo”, contou Arnold Lamy à reportagem da Trivela . — o Brasil jogava, atuava com confiança, criatividade e liberdade.
Eles tornavam o futebol algo bonito — relembrou. A identificação com o Brasil se fortaleceu ao longo dos anos e teve em Pelé sua principal referência. Ao todo, o eterno camisa 10 disputou quatro Copas do Mundo e saiu campeão de três — 1958, 1962 e 1970. Para Arnold, o Rei não foi apenas um craque , mas um personagem capaz de influenciar gerações inteiras de haitianos devido ao seu carisma e carinho com a população do Haiti. — Para a minha geração, Pelé era maior do que a própria vida .
Nós não o admirávamos apenas como jogador de futebol, mas como um símbolo de excelência. Quando Pelé visitou o Haiti em 1971 , isso passou a fazer parte da nossa história. Os haitianos nunca esqueceram esse momento. A partir dali, o Brasil se tornou como uma segunda seleção