Sempre proficiente em relações públicas, Carlo Ancelotti vem acertando o tom desde a sua volta para o Brasil. Até colou a sua opção de ir para o Canadá depois da eliminação na Copa do Mundo — a necessidade de ficar refletindo num ambiente familiar. Mais importante, vem acertando sobre a derrota para a Noruega — mesmo com menos posse da bola, a sua equipe estava confortável no jogo até que ele perdeu controle com uma substituição muito mal feita. Fala isso com autocrítica, sem culpar os jogadores envolvidos , que parece absolutamente certo nas circunstâncias.
Tim Vickery: As ilusões no diagnóstico dos problemas da Seleção e como realmente melhorar Leia → Também, e com muito mais importância no longo prazo, identifica o motivo para o Brasil ter pouca posse da bola até contra a Noruega — o que o Brasil tem de melhor são jogadores de velocidade para fazer transições rápidas. O que tem de pior são meio-campistas para ditar o ritmo da partida — daí, podemos concluir, a decisão de dar tanta importância para o Casemiro — que, junto com Neymar e Danilo, agora faz parte do passado. Tenho que confessar que o declínio do meio-campo brasileiro tem sido uma obsessão para mim durante quase 30 anos.
Lembro bem correndo para casa em 1982 empolgado para ver cada show das estrelas de futebol arte. Quando o time de Telê Santana foi eliminado pareceu que alguma coisa deu errado com a natureza. Os problemas da seleção brasileira muito tempo atrás Lembro bem do momento quando percebi o tamanho do declínio — foi a Copa Ouro que a seleção de Zagallo disputou no início de 1998. O Brasil empatou com a Guatemala.
Claro que os jogadores do Brasil eram muito melhores, mas os guatemaltecos preservaram triangulações e viradas do jogo no meio campo que eu não estava vendo mais no verde-amarelo. Depois, entendi que a escola brasileira estava sendo dominada por uma turma que desconfiava da posse da bola, que pensava que não prestava mais por causa da evolução física do jogo, e que o objetivo deveria ser de fechar o jogo no meio para lançar ataques rápidos pelos lados. No futebol, a ideia vem em primeiro lugar. A ideia faz muito para formar o tipo de jogador, e o país de Didi e Gérson virou deficiente em produzir atletas desse tipo — que também explica porque tem sido tão difícil para o futebol brasileiro reagir depois da revolução de Guardiola em 2009 — mais de 15 anos atrás.
Bem, agora pelo menos Ancelotti chegou a um diagnóstico da situação, e anunciou que vai dar carinho especial